13 maio, 2011

A maneira como ensinamos a abstinência sexual antes do casamento precisa ser re-examinada

É tempo para nossas famílias e igrejas, para reavaliar a forma como nós ensinamos sobre sexo antes do casamento.

Embora devamos continuar a ensinar a abstinência eo plano de Deus acerca da sexualidade, uma abordagem mais abrangente, ensinando as pessoas a pensar criticamente é necessário promover a boa tomada de decisão. Simplesmente ensinar a abstinência não é suficiente.

Uma jovem freqüentadora de igreja era financeiramente segura, emocionalmente estável, de pós-graduação e de um lar cristão. Não é exatamente a criança do poster para a maternidade não planejada.No entanto, ela se viu grávida e solteira. Quando perguntada por que ela não usou alguma forma de contracepção, sua resposta foi interessante, mas após análise, não surpreende.

Toda a sua vida, ela tinha ouvido, compreendido, e acredita ensinamento da Igreja sobre a santidade do sexo dentro do casamento. Mas ela sentia que havia uma diferença entre a transgressão premeditada e "acidental". Ela acreditava ter relações sexuais fora do casamento era errado. Tomar precauções seria "planejamento" para fazê-lo de qualquer maneira, o que seria mais errado do que se "apenas aconteceu".

Quem sabe com que freqüência esses "acidentes" que aconteceu ou se a gravidez foi resultado de uma decisão errante inserido em um padrão ao longo da vida de castidade. Realmente, é irrelevante. O que é significativo é o fato de que seu raciocínio não é raro.

Muitos jovens têm vergonha ou vergonha de procurar respostas sobre sexualidade dentro das comunidades de nossa igreja. Eles quer obter informações erradas a partir de fontes menos confiáveis, mas mais acessível, como pares ou na Web, ou não assumir a responsabilidade de pensar criticamente sobre comportamentos sexuais.

Nem todo mundo tem um pai que estava pronto, disposto e capaz de ter estas discussões com eles. Mesmo os pais francos e abertos que são as mais prováveis fontes de informações seguras, porém não são os únicos. Mídia, colegas e outros modelos fornecem um fluxo constante de informações sobre sexo.

Para ajudar a contrabalançar algumas das coisas negativas que possam estar ouvindo, a igreja deve estar pronto para emprestar a sua voz na definição das perspectivas de nossos jovens e adultos.

As famílias e as igrejas devem trabalhar em conjunto nesta matéria. Este problema exige a nossa atenção porque todos nós sabemos jovens e jovens adultos em nossas igrejas que já tiveram relações sexuais, resultando em gravidez não planejada e doenças sexualmente transmissíveis. Eles ouviram as pregações, palestras e estudos bíblicos defendem a abstinência antes do casamento. No entanto, eles decidiram ter relações sexuais de qualquer maneira. A frase chave é "que eles decidiram."

A primeira vez que eu aprendi um dos meus paroquianos solteiros jovens de uma congregação anterior estava indo ter um bebê, eu admito que eu estava chateado. Eu comecei a rever o meu ministério: o que eu deveria ter dito ou feito de forma diferente? Como eu poderia ter feito a mensagem de pureza sexual raízes?O que eu tinha feito de errado? E se eu sentir todas essas emoções, eu só posso imaginar como os pais queriam.

Finalmente, um colega me lembrou: não importa o que é ensinado, afinal, eles estão no controle de si mesmos. Eu não poderia suportar a culpa de alguém escolhas. Cada um faz suas próprias decisões. A essa luz, como a igreja pode garantir que os nossos jovens e solteiros tomar decisões que são os mais bem informados e bem-educado?

Eu acredito, prática e ensinar a abstinência sexual, mas também observar muitos jovens e solteiros que escolhem ter sexo antes do casamento de qualquer maneira. Ao fazer a abstinência toda a extensão da nossa mensagem, nossa igreja é um desserviço.

Há congregações fora de nossa denominação tentam criativamente resolver este dilema. Algumas vezes reservado aos profissionais de saúde para vir responder a perguntas e prestar informações sobre o acesso e uso de contracepção. Outras igrejas realizam exames de DST para a comunidade e congregação. Eles fornecem os preservativos para os presentes. Sei de um pastor que fala com seus adolescentes individualmente sobre relacionamentos e namoro. Ele destaca os princípios bíblicos de sexualidade e que a abstinência é a melhor escolha. Após discussão e oração, dá-lhes um preservativo com as informações e imagens da igreja do pastor impresso na capa! Ele espera que, mesmo que eles escolhem ignorar conselho bíblico, eles terão o preservativo e usá-lo. Um de seus fiéis jovens depois testemunhou sobre uma instância com sua namorada, onde a excitação era grande, mas a razão era baixo - com um lembrete tangível de sua conversa com seu pastor lhe deu uma pausa suficiente para contemplar suas ações. Ele e sua namorada decidiram não ter sexo.

Eu não estou necessariamente defendendo estes métodos particular. No entanto, estou cansado de ver nossas igrejas sendo o lar de jovens contraindo cancro do colo do útero, os homens jovens secretamente auto-medicação infecções genitais ", de aparência saudável" pessoas inadvertidamente propagação de doenças venéreas, e os pais com vergonha de admitir doença súbita da criança é uma complicação da AIDS. No mínimo, podemos fazer as pessoas conscientes dos indivíduos dentro de nossas congregações que são fontes seguras e não-julgamento de informação. O que eles decidirem, as pessoas merecem a capacidade de ser apontado para o lugar certo de recursos de saúde - incluindo preservativos.

Há aqueles que acreditam que este é o mesmo que defendendo o sexo antes do casamento: dando aos jovens uma "rede de segurança", eles acreditam que o sexo não tem consequências. Eu discordo. Verdade, a prática de sexo pré-marital não é a melhor opção. No entanto, devemos composto erros, permitindo que eles se tornem pais acidental, fiquem expostos a patógenos cancerígenas, e contrato de DST's? Alguns dizem que sim: "eles devem sofrer o impacto de suas ações, aconteça o que acontecer!"

Mas nem Deus faz isso. Cada um de nós tem uma escolha plenamente seguir a Deus ou desobedecer - a começar pela escolha de Adão e Eva no Éden. desígnio de Deus para eles era claro. Ainda assim, eles tinham livre arbítrio. Elegeram um curso que não estava no plano de Deus para eles. No entanto, Deus providenciou um caminho para atenuar o impacto dessas escolhas - para eles e para nós.

Se algumas pessoas fazem a escolha imprudente de ter relações sexuais antes do casamento, mesmo que usar a contracepção, eles não vão experimentá-lo incólume. Não são de longa duração conseqüências emocionais e espirituais. Como é que é "melhor para eles" adicionalmente suportar física (e por vezes, financeiro e educacional) as sanções, se essas podem ser evitadas ou diminuídas?

Devemos ensinar o discernimento e pensamento crítico. E nós também deve fornecer recursos abrangentes para facilitar a boas decisões. Às vezes as pessoas fazem escolhas discordamos. Mas no final, a escolha é deles.

- Courtney Ray é pastor auxiliar da Avenida Tamarind Adventista do Sétimo Dia Igreja em Compton, Califórnia, Estados Unidos

Fonte: http://news.adventist.org/2011/05/the-way-we-teach-sex.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+ann-en+%28Adventist+News+Network%29&utm_content=FeedBurner

06 maio, 2011

Uma Visão Cristã da Sexualidade

Sexualidade é “o conjunto dos fenômenos da vida sexual” (Dicionário Aurélio Século XXI). Biblicamente, a sexualidade é uma das mais poderosas dádivas divinas e situa-se no centro da personalidade humana.

A partir da adolescência a sexualidade deve ser compreendida sabiamente. Conceitos e hábitos estabelecidos nessa fase acompanham o indivíduo no restante de sua vida.

Despertamento da Sexualidade

Sob a ótica da sociedade atual, a sexualidade é destacada, embalada e vendida, como bem de consumo. Ela é tanto a motivação quanto o produto final de muitas iniciativas de marketing.

É importante refletir sobre a sexualidade do ponto de vista de Deus, a partir de sua revelação contida nas Escrituras.

I. Aspectos positivos da sexualidade

A sexualidade é mostrada na Bíblia positivamente. Sexo, de acordo com a Escritura, é dom divino vivenciado de acordo com os padrões do Criador.

1. A sexualidade é uma dádiva de Deus

26 Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança (…). 27 Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. 28 E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra (Gn 1.26-28, ênfase acrescentada).

Os gêneros sexuais refletem a imagem e semelhança do Criador. Daí a dignidade tanto do homem quanto da mulher. A prática de relações sexuais está implícita na referência do v. 28 à procriação.

18 Disse mais o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea. (…) 20 Deu nome o homem a todos os animais domésticos, às aves dos céus e a todos os animais selváticos; para o homem, todavia, não se achava uma auxiliadora que lhe fosse idônea. 21 Então, o SENHOR Deus fez cair pesado sono sobre o homem, e este adormeceu; tomou uma das suas costelas e fechou o lugar com carne. 22 E a costela que o SENHOR Deus tomara ao homem, transformou-a numa mulher e lha trouxe. 23 E disse o homem: Esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne; chamar-se-á varoa, porquanto do varão foi tomada. 24 Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne. 25 Ora, um e outro, o homem e sua mulher, estavam nus e não se envergonhavam (Gn 2.18, 20-25, ênfases acrescentadas).

A sexualidade implica em união mútua e profunda intimidade.

2. Na sexualidade encontramos um fundamento para a individualidade

Como indivíduos, identificamo-nos, interagimos com o mundo, cumprimos nossa vocação e até nos relacionamos com Deus como homens ou mulheres.

O que somos, somos sexualmente. Expressões tais como “eu sou João” ou “eu sou Maria” expressam que no centro de nossa identidade encontra-se nosso gênero sexual. Em decorrência do ato criador divino, somos feitos “macho” ou “fêmea” (Gn 1.27).

Interagimos sexualmente

A sexualidade define, ainda, como nos relacionamos com o mundo. O modo com um homem lida com outras pessoas ou com alguns detalhes da vida é singular e difere da forma como uma mulher relaciona-se com as mesmas pessoas e fatos. Em decorrência do ato criador divino, relacionamo-nos com o universo como “macho” ou “fêmea” (Gn 1.27).

Há complementaridade entre masculino e feminino

Conforme lemos em Gênesis 2.18 e 20-25, a sexualidade pressupõe complementaridade. Adão precisava da companhia de Eva. Ele estava incompleto sem ela. Eva foi necessária para possibilitar o estabelecimento de relações afetuosas, conjugais e sociais.

A masculinidade e feminilidade são importantes para o cumprimento dos mandados divinos

Outro detalhe a considerar é que a sexualidade permite que deixemos marcas singulares na história. Abraão, Isaque, Jacó, Sarah, Débora e Maria são exemplos de pessoas que abençoaram o mundo como homens e mulheres de Deus.

A sexualidade é parte imprescindível de nossa comunhão com Deus. O Criador é Senhor sobre tudo, inclusive nossas inclinações, desejos e corpo. Deus mesmo é fonte de verdadeiro prazer. Ele é quem legitima o prazer sexual e concede poder para a pureza e santidade. Como afirma Piper ([s.d.]), “a sexualidade é designada por Deus como uma maneira de se conhecer a Deus em Cristo mais completamente” e, por sua vez, “conhecer a Deus em Cristo mais completamente é designado como uma maneira de se guardar e guiar nossa sexualidade”.

3. Na sexualidade existem diversos potenciais construtivos

A fé bíblica percebe os potenciais da sexualidade no enriquecimento das relações entre as pessoas, no estímulo às realizações, na procriação e, finalmente, na intimidade e prazer conjugal.

Interação enriquecedora com indivíduos do sexo oposto

A sexualidade possibilita a amizade enriquecedora. Homens e mulheres são aperfeiçoados no convívio fraterno e santo.

Realizações multiformes

Em determinados contextos organizacionais, equipes de trabalho formadas por homens e mulheres produzem resultados melhores qualitativa e quantitativamente. Cada gênero sexual contribui com idéias e modos singulares e relevantes de realizar as coisas.

Procriação

A sexualidade encontra seu espaço de maior intimidade na cópula ou relação sexual, no casamento. O matrimônio gera a família, estrutura da bênção de Deus, amor e aliança, sob a qual os filhos são gerados, nutridos e desenvolvidos (Gn 1.28; Sl 126.2 e 128; Ef 6.1-4).

Intimidade e prazer conjugal

A prática da relação sexual pelo casal, sob o matrimônio, não é apenas reprodutiva, mas voltada para o desfrute do prazer e comunhão com o cônjuge (Pv 5.5-19, Ec 9.9 e Ct 7.6-13).

Casamento

Prazer que aponta para a bondade de Deus e obediência

O prazer proporcionado pela relação sexual, do ponto de vista bíblico, é qualificado. Não se trata de prazer pelo prazer, mas de prazer centrado em Deus. O prazer sexual bíblico é desfrutado considerando-se a bondade divina e obedecendo-se aos padrões bíblicos de orientação e conduta sexual. Nesse termos, há quatro proibições explícitas na Escritura.

  • Adultério (Êx 20.14; Lv 18.20).
  • Incesto, relações sexuais com parentes próximos (pai e mãe, filhos ou filhas, irmãos, avós ou netos, tios e sobrinhos, genros e noras, uma mulher e sua filha ou duas esposas ao mesmo tempo — Lv 18.6-18).
  • Homossexualismo, relações sexuais com pessoa do mesmo sexo (Lv 18.22; Rm 1.26-27).
  • Bestialidade, relações sexuais com animais (Lv 18.23).
Prazer paciente

A sexualidade bíblica é norteada pelo amor, que é paciente (Ct 3.5; 1Co 13.4). O amor verdadeiro sabe esperar, não força ações precipitadas.

Prazer casto e temperante

O prazer sexual bíblico é poder sob controle do Espírito Santo (Gl 5.22-24).

Prazer que aponta para a aliança entre Cristo e a Igreja

A união profunda entre um homem e uma mulher refere-se ao mistério da união entre Cristo e a Igreja (Ef 5.31-32). O prazer sexual é um significativo mas ainda pálido vislumbre das delícias desfrutadas na comunhão com o Senhor Jesus Cristo (Sl 16.11; Pv 8.31).

Percebe-se, destarte, que a sexualidade não é diminuída pela Bíblia. Pelo contrário, por representar o maravilhoso vínculo entre o Senhor e seu povo, é destaca e devidamente valorizada. A sexualidade é diminuída e assumida como caricatura pela sociedade pagã, que reduz o sexo a mera busca insaciável de prazer impessoal e momentâneo.

A necessidade humana do homem e da mulher um pelo outro surge de uma relação original fundamentada no ato criador de Deus (Gn 2.18ss). A família é a ordem natural e básica da criação e um microcosmo da humanidade (Ef 3.14). Os pais descobrem juntos uma vida nova na união: os filhos são gerados divinamente como dádivas sagradas. (…) Por causa da integridade da personalidade humana, o que se pensa e se faz sexualmente tem conseqüências no ser total do indivíduo, nesta vida e na próxima. Para os cristãos, o sexo envolve terna gratidão, devoção pessoal e responsabilidade gratificante sob os cuidados de Deus (HENRY, 1975, p. 1169-72 apud COURT, 1992, p. 13).

II. Deturpações da sexualidade na lista das obras da carne

As deturpações da sexualidade são mostradas na lista das “obras da carne”, registrada em Gl 5.19-21: prostituição, impureza e lascívia.

1. A prostituição

A prostituição é a primeira obra da carne (Gl 5.19). Prostituição é “comércio habitual ou profissional do amor sexual” (Dicionário Aurélio Século XXI). No Novo Testamento a palavra porneia, indica, simultaneamente, tanto a indecência de modo geral como o uso do corpo como objeto de prazer momentâneo. Barclay (1985, p. 25) considera que o termo liga-se a pernumi, vender, e propõe o seguinte significado:

Essencialmente, porneia é o amor que é comprado e vendido – o que não é amor de modo algum. O erro grande e básico nisto é que a pessoa com quem semelhante amor é satisfeito não é realmente considerada uma pessoa, mas um objeto. Ele ou ela é mero instrumento através de quem as exigências da concupiscência e da paixão são satisfeitas. O amor verdadeiro é a união total entre duas personalidades de modo que se tornam uma só pessoa, e que cada uma acha sua própria realização na união com a outra. Porneia descreve o relacionamento em que uma das partes pode ser comprada e descartada como um objeto, e onde não há união de personalidade nem respeito por estas (op. cit., p. 25-26).

A NVI – Bíblia Nova Versão Internacional (2003, p. 2013) e a NTLH – Bíblia Nova Tradução na Linguagem de Hoje (2005, p. 1195) traduzem a palavra por “imoralidade sexual”. Hendriksen (1999, p. 315) conclui que o termo tem a ver com toda espécie de relação [sexual] ilícita e clandestina” e relaciona-se, no paganismo, à prática da idolatria. Stott (2003, p. 134) afirma que porneia indica, primariamente, a fornicação que é a prática de relações sexuais “entre pessoas que não são casadas”, mas pode referir-se também “a qualquer tipo de comportamento sexual ilegal”. A prostituição aponta, literalmente, para o “pecado dentro de uma área específica da vida, a área das relações sexuais” (BARCLAY, Ibid., p. 31).

2. A impureza

A palavra usada pelo apóstolo Paulo para referir-se à segunda deturpação sexual é akatharsia, traduzida por “impureza”. Akatharsia significa, literalmente, sujeira ou imundícia. Para Stott (op. cit., loc. cit.) a palavra indica “comportamento anormal”. Barckay (Ibid., p. 30-31) sugere que o termo indica algo que “dá nojo à pessoa que a presencia” e possui três idéias principais:

  • Indica “um tipo de mente que é poluída em si mesmo e que polui tudo quando passa por ela” (Ibid., p. 31).
  • Refere-se a uma impureza repulsiva que desperta ojeriza nas pessoas decentes que olham para ela.
  • Akatharsia tem um sentido ritual. Era usada para aquilo que impossibilitava a pessoa de entrar na presença de Deus. Assim sendo, seu uso descreve “a impureza ritual e cerimonial” que exclui “o homem da presença de Deus” e contrapõe-se à pureza de coração exigida na verdadeira adoração (Mt 5.8 – Ibid., loc. cit.).

A impureza aponta, literalmente, para “uma contaminação geral da pessoa inteira, maculando todas as esferas da vida” (Ibid., loc. cit.).

3. A lascívia

A terceira deturpação sexual da lista de obras da carne é a lascívia (“libertinagem” na NVI e “ações indecentes” na NTLH). A palavra original é aselgeia, que indica uma postura completamente desavergonhada. A pessoa aselgēs não se importa em chocar a decência pública. Platão (República 424 E.) usa o termo para referir-se à insolência da iniqüidade. Barclay (Ibid., p. 33) chama a atenção para o fato que a aselgeia “é o ato de uma personalidade que já perdeu aquilo que deveria ser sua melhor defesa – seu respeito-próprio, e seu senso de vergonha”.

A lascívia aponta, literalmente, para “um amor ao pecado tão desenfreado e tão audaz que o homem deixou de importar-se com aquilo que Deus ou os homens pensam a respeito de suas ações” (Ibid., loc. cit.).

4. Os padrões da sociedade

As regras da Escritura são desconsideradas pela sociedade em geral. A idéia de pureza sexual é ridícula para o mundo sem Deus. As coisas não eram diferentes na cultura greco-romana dos tempos apostólicos. Barclay (Ibid., p. 26-27) descreve o panorama moral daquela época citando os próprios autores pagãos. Dizia-se que, na primeira metade do século II, “a vergonha parecia ter sumido da terra” (p. 26). Sêneca (Da Ira 2.8) disse com exatidão: “A inocência não é rara: é não-existente” (p. 27). Com relação à homossexualidade, tanto Platão como Sócrates desfrutavam do “amor de meninos” (p. 28). Dos quinze primeiros imperadores romanos, somente Cláudio era heterossexual. Mesmo assim, Messalina, sua esposa, saía “às escondidas do palácio real à noite, a fim de servir num prostíbulo público” (p. 27, 28s).

No século XXI é desafiador quanto aos padrões bíblicos de pureza moral. As pressões de grupo e, principalmente, a força da mídia, empurram o indivíduo para a aceitação da promiscuidade ou formas antibíblicas de vivenciar a sexualidade.

5. Potenciais destrutivos

Uso indevido da dádiva da criação

Os pecados sexuais constituem-se em uso indevido da dádiva da criação. Ao invés de glorificar a Deus, o ser humano desconsidera os padrões divinos e explora a sua sexualidade para o desfrute de seus próprios desejos desenfreados.

Idolatria

Ao descartar as informações bíblicas sobre a sexualidade, o ser humano estabelece seu ego como centro da existência. Deus é colocado de lado e os apetites da carne são entronizados. Isso é pecado de idolatria (Êx 20.1-4 e 14).

Desvalorização do corpo

A quebra dos padrões bíblicos de sexualidade mancha o corpo. Este, por sua vez, deve ser consagrado como templo do Espírito Santo (1Co 6.9-11, 15-20).

Pulverização da personalidade

O resultado final da quebra dos padrões relacionados à sexualidade é a deformação integral do caráter. O início da lista de obras da carne (Gl 5.19) sugere uma escada de degraus descendentes: da prostituição (uso do corpo como objeto) para a impureza (mancha moral e espiritual), e desta última, para a lascívia (conduta completamente desavergonhada). O texto de Romanos 1.18-32 descreve uma deterioração crescente.

6. Situações de risco

Namoro precoce

Não há uma idade-padrão para o início do namoro, mas devem ser considerados os seguintes fatos.

  • O namoro estabelece uma relação afetuosa entre um rapaz e uma moça, com vistas ao conhecimento mútuo.
  • Tal relação tende ao aumento da intimidade entre o casal, que produz, por conseguinte, pressão sexual (Ct
  • 1.1-4 e 2.3-6).
  • Tal pressão é um dos indicadores de que o casal deve pensar em casamento (1Co 7.8-9). O rapaz e a moça devem aguardar até o casamento para satisfazerem completamente o desejo sexual (Ct 2.7, 3.11, 5.1).
  • Assim sendo, o namoro não deve ser assumido antes que o casal tenha convicção de que deseja iniciar uma relação séria, que talvez desdobre-se em união matrimonial. É claro que o namoro não significa que ambos irão, de fato, casar-se, mas deve pressupor tal disposição. Nesses termos o namoro é, ainda que em primeiro estágio, uma aliança.
  • Isso exige do casal maturidade e disposição para consolidar uma estrutura de estudos e recursos, necessária para a possível manutenção de um lar.
  • Apesar de algumas felizes exceções, o namoro iniciado muito cedo possui riscos tais como desvio de atenção dos estudos, violação dos padrões bíblicos de pureza sexual e gravidez indesejada.

“Ficar”

Para quem não deseja assumir as responsabilidades de um namoro, a sociedade sugere uma nova opção de relacionamento: o “ficar”. “Ficar” é desfrutar fisicamente de uma pessoa, sem compromisso, apenas por poucos minutos ou horas. Em seguida, rapaz e moça estão disponíveis para “ficarem” com outras pessoas.

O problema dessa prática é que, mesmo que não haja relação sexual, trata-se de porneia ou prostituição, uma vez que o outro ser humano está sendo “usado” sem nenhum vínculo de aliança.

Pornografia

A junção de todas as deturpações citadas em Gálatas 5.19 dá origem à pornografia, que multiplica-se sobremaneira na esteira da liberdade de expressão. Lopes ([s.d.]) descreve a pornografia nos seguintes termos:

De forma geral, podemos dizer que pornografia é a representação da nudez e do comportamento sexual humano com o objetivo de produzir excitamento sexual. Esta representação é feita através de imagens animadas (filmes, vídeos, computador), fotografias, desenhos, textos escritos ou falados. A pornografia explora o sexo, tratando os seres humanos como coisas e, em particular, as mulheres como objetos sexuais.

A palavra pornografia vem do grego e significa literalmente “escrever sobre prostituta”. Com o tempo, passou a referir-se a qualquer material, escrito ou gráfico, de conteúdo sexual. O termo é usado hoje de forma negativa. A indústria pornográfica que produz filmes, revistas, vídeos e sites na Internet, prefere usar outros termos, como “material adulto”. Esta manobra é um eufemismo que visa retirar deste sórdido comércio a pecha negativa que ele possui.

A pornografia desorienta seus usuários a partir de informações falsas. Além de homens e mulheres serem mostrados de forma irreal, como máquinas sexualmente incansáveis; homens são dominadores incapazes de demonstrar ternura e as mulheres são meros objetos passivos (SUPLICY, 1991, p. 373).

Pornografia

A palavra pornografia tem a ver com porneia, e movimenta uma indústria milionária que tem ligações com o crime organizado (LOPES, loc. cit.). Court (op. cit., p. 48-55) demonstra que em países que abriram espaço para a pornografia, houve aumento significativo na quantidade de crimes sexuais relatados, tais como estupros. Em Los Angeles, capital mundial da pornografia, tais crimes cresceram 56% entre 1958 e 1973. Na Inglaterra e País de Gales, o aumento foi de 62%, entre 1950 e 1970. No Japão, onde foi adotada uma política mais restritiva quanto à pornografia, os crimes sexuais diminuíram 49%.

Pornografia e Jogos sexuais

A pornografia propõe determinados padrões de prática sexual, tais como o sexo oral, anal, grupal ou troca de parceiros, que terminam sendo assumidos como normais. O contato com a pornografia estimula a prática de jogos sexuais que contrariam os princípios bíblicos de sexualidade.

Pornografia e sexo precoce (antes do casamento)

Um dos resultados das estimulações da pornografia é a prática do sexo antes do casamento. É claro que alguns casais relacionam-se sexualmente antes do casamento mesmo sem consumirem conteúdos pornográficos. A pornografia, no entanto, induz fantasias que pressionam o usuário à masturbação e à prática de relações sexuais.

Além disso, não há diferença, na essência, entre carícias pré-maritais e sexo pré-marital. Uma vez que carícias são consideradas pelo sexólogos como estímulos preparatórios, uma carícia só difere de uma penetração em termos de conseqüências físicas tais como o rompimento do hímen ou a possibilidade de uma gravidez (WHITE, 1994, p. 62-64). Mesmo que a prática de carícias pré-maritais não seja “descoberta” pelos homens, constitui-se em ofensa a Deus pela quebra dos padrões divinos de pureza sexual.

Pornografia e vício sexual

Todas essas deturpações são desvios da vontade divina relacionada ao sexo e têm o poder de causar dependência, ou seja, viciar (HENDRIKSEN, 1999. p. 314).

O vício sexual é um problema reconhecido por estudiosos das ciências humanas e sociais. Atualmente existem grupos e instituições especializados em tratar de pessoas que não conseguem ter vidas normais por causa da escravidão à pornografia.

Conseqüências naturais

As deturpações da sexualidade produzem prejuízos financeiros, enfraquecimento da relação conjugal, destruição de lares e outras frustrações.

Conseqüências espirituais

As deturpações da sexualidade produzem prejuízos espirituais: quebra da comunhão com Deus (distanciamento da leitura bíblica devocional e oração), afastamento do serviço cristão e pulverização do testemunho evangelístico. A Bíblia ensina claramente que pessoas presas a pecados sexuais não foram regeneradas e, portanto, não entrarão no reino dos céus (1Co 6.9-11; Ef 5.3-14; Ap 22.15).

Conclusão

A sexualidade, como vimos, é uma das mais poderosas dádivas divinas e influencia nossa personalidade. Somos e fazemos e fazemos qualquer coisa como homem ou mulher, ou seja, como seres sexuais.

Biblicamente, a sexualidade foi estabelecida para a liberdade. Liberdade, porém, não significa a autonomia de orientar-me e assumir relações sexuais fora dos padrões de Deus. Liberdade também não é sinônimo de promiscuidade. White (op. cit., p. 66) coloca a questão adequadamente, ao afirmar que “nosso corpo foi feito para a liberdade. Só encontramos liberdade sexual (ou em qualquer outra área) quando cumprimos o propósito da nossa criação”.

Liberdade é graça concedida pelo conhecimento de Jesus Cristo e pela direção poderosa do Espírito Santo (Jo 8.34-36; Rm 8.1-2; Gl 5.16-25). “Aqueles que são dirigidos pelo Espírito respiram o ar alegre e revigorante da liberdade moral e espiritual” (HENDRIKSEN, 1999, p. 313).

A sexualidade foi concedida para encontramo-nos significativamente uns com os outros e, nesses encontros, refletirmos nossa união com Deus. Ela não foi concedida para o prazer egoísta. Na verdade, quanto mais buscamos o prazer fora de Deus, mais sentimo-nos frustrados.

Encontrar o prazer é tão difícil quanto perseguir o fim de um arco-íris. Se você procura o prazer, nunca vai encontrá-lo. Toda vez que você tenta agarrá-lo pelo rabo, ele escapa.(…)

O prazer, na verdade, é um subproduto, um efeito colateral. Ele nos toma de surpresa, quando estamos à procura de alguma outra coisa. (…)

Busque a Deus e você encontrará, entre outras coisas, um prazer penetrante. Busque o prazer e, no fim das contas, você vai encontrar tédio, desencanto e escravidão (WHITE, op. cit., p. 68).

Palestra ministrada em 30 de Junho de 2006, pelo Rev. Misael Batista do Nascimento, aos alunos de quinta a oitava séries da Escola Presbiteriana do Gama.

Referências Bibliográficas

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BARKER, Kenneth. et al. (Orgs.). Bíblia de Estudo NVI. Trad. Gordon Chown, Notas. São Paulo: Vida, 2003. 2424 p.

BÍBLIA DE ESTUDO NTLH. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2005. 1504 p.

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HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento: Gálatas. Trad. Valter Graciano Martins. São Paulo: Cultura Cristã, 1999. 367 p.

HENRY, Carl F. H. Christian personal and social ethics in relation to racism, poverty, war and other problems. In: DOUGLAS, J. D. (Ed.). Let the earth hear his voice. Mineapolis: World Wide Publications, 1975. p. 1169-72.

HOLANDA, Aurélio Buarque. Dicionário Aurélio Século XXI. Versão digital.

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PIPER, John. Sexo e a supremacia de Cristo. Cuiabá: Web Site Monergismo, [s.d.]. Disponível em Acessado em: 28 Jun 2006.

STOTT, John. A mensagem de Gálatas: Somente um caminho. 1ed. 1989. 3reimp. 2003. Trad. Yolanda Mirdsa Krievin. São Paulo: ABU, 2003. 171 p.

SUPLICY, Marta. Conversando sobre sexo. 17ed. rev. ampl. Petrópolis: Edição da Autora, 1991. 407 p.

WHITE, John. Eros e sexualidade: Uma perspectiva cristã. Trad. Lucy Yamakami. São Paulo: ABU, 1994. 193 p.

As ilustrações utilizadas neste estudo são de autoria de Biry, e foram extraídas do livro Transar ou não transar, de Sérgio e Magali Leoto.

Publicado por Rev. Misael em 30/06/2006


Fonte: http://www.ipcg.org.br/ipcg/?p=74

10 janeiro, 2011

Sexo, por que não?

Como quase toda jovem cristã, ela era muito romântica e sonhava conhecer a pessoa ideal com quem se casar. Encontrou o “príncipe” e o namoro começou. Só que, com o tempo e a intimidade, os limites que haviam estabelecido começaram a ser desafiados. “A cada dia a gente falava mais sobre amor, e até sobre casamento. Era tão bom ficar com ele!”, relata a moça que prefere não ter o nome divulgado. “Mas percebemos que alguma coisa errada acontecia entre nós quando o sexo dominava nosso relacionamento. Quanto mais nos envolvíamos,mais íntimos nos tornávamos; e, mesmo assim, brigávamos muito. De qualquer maneira, estava segura de que ele era a pessoa certa para mim.”
O problema é que a “pessoa certa” acabou se transformando com o tempo. “Pouco a pouco, perdemos o respeito um pelo outro... Logo, tudo se inverteu. O amor começou a se desgastar. Havíamos compartilhado tudo e, como éramos muito jovens para nos casar, nosso relacionamento perdeu a graça. Haviam me prevenido sobre isso. Falaram-me repetidas vezes sobre a mágoa de se dar algo que nunca mais poderá ser recuperado. Agora entendo. Fui tola o bastante para descobrir por mim mesma.”

A garota da história acima tinha apenas 15 anos quando terminou o namoro e ficou com as mágoas. Ela ficou com medo de se apaixonar de novo e confiar novamente em alguém. Tremia só de pensar em falar de seu passado com um novo namorado. Tinha medo de não poder ter uma vida verdadeiramente íntima com ele, caso não contasse. “É terrível sentir-se privada do mistério do futuro, de sua dignidade, valor e respeito próprio. Eu amava o Guto*. A ferida vai demorar muito tempo para sarar”, é o desabafo de uma alma muito jovem para suportar tanto peso.

Vivemos em uma sociedade na qual os valores cristãos se deterioram a cada dia. Assuntos como reverência, santidade, temperança, pureza, castidade e modéstia cristã são vistos como temas de pouca importância. Aos poucos, o cristianismo tradicional é substituído por uma religiosidade do tipo “vale-tudo”. Afinal, “Deus é amor, e nos aceita como somos”.

De fato, o Senhor nos aceita como somos. No entanto, precisamos trilhar a estrada da santidade, adaptando nossos desejos à vontade de Deus, mediante Seu poder. Essa adaptação é necessária em todos os aspectos de nossa vida, inclusive na sexualidade.

É interessante – e triste, também – notar como o ser humano, após a queda e em decorrência dela, sempre tende ao extremismo. Durante vários séculos, especialmente na Idade Média, o sexo foi visto como tabu. O “pecado original” havia sido o sexo. O fruto proibido simbolizava o sexo. Quanta bobagem! Infelizmente, até isso contribuiu para que muitas pessoas acabassem interpretando o relato da criação no livro de Gênesis como uma simples alegoria.

(Imagem: )

Que o “pecado original” não foi o sexo fica evidente na ordem de Deus aos nossos primeiros pais: “Crescei e multiplicai-vos.” Gên. 1:28. E isso foi dito antes da queda. Mas a Idade Média acabou. O “século das luzes” prenunciava uma nova era de liberdades
(e libertinagens) para a humanidade. “Sexo livre”, “revolução sexual”, “parceiros sexuais”, “sexo seguro" são expressões que passaram a fazer parte do nosso vocabulário de tal maneira que nem as estranhamos mais. É o outro lado da moeda.

Somos bombardeados diariamente, sem tréguas, com todo tipo de apelo sexual. As músicas, as propagandas, as revistas, as novelas – a mídia em geral nos faz inverter certos valores, colocando o sexo sem compromisso como algo normal. Vamos, então, à grande questão: “Por que não posso fazer sexo antes do casamento, já que é tão bom?” Aí é que está: é bom “dentro do casamento”. O sexo foi criado pelo próprio Deus para ficar sob as estruturas de um lar. Biologicamente, o sexo (a união carnal) tem como finalidade a procriação, mas o próprio Deus tornou essa “função” prazerosa. Da mesma forma que é importante se alimentar para continuar vivendo, mas para fazer isso com prazer temos o paladar – outro presente do Criador. No entanto, alimentar-se baseado apenas no prazer, sem obedecer a horários, pode ser uma cilada para a saúde. De igual forma, ter sexo fora do casamento pode ser um desastre. A ordem exata das coisas está em Gênesis 2:24: “Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne.”Relembrando: 1) deixar pai e mãe; 2) unir-se à mulher; 3) os dois se tornam uma só carne.

Estamos constantemente procurando razões para nos sentirmos “aprovados” como cristãos. No que diz respeito ao sexo, é
importante entender que Deus taxativamente não aprova o sexo fora do casamento. Isso está bem claro em Hebreus 13:4: “Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leitosem mácula.” Você pode até achar que deve agir de maneira mais liberal, porque os tempos são outros, o mundo mudou. Bem, lembre-se: Deus não mudou.

(Imagem: William de Moraes)

A gravidez indesejada e DSTs são apenas alguns dos resultados negativos da experiência sexual fora do casamento. Há também, em alguma escala, o risco de promiscuidade. A palavra é forte, mas é isso mesmo. Vamos supor que você e a pessoa com quem você namora cedem e transam. Mas, infelizmente, o namoro não dá certo e vocês resolvem terminar. Logo, você começa a namorar outra pessoa. E aí, vai ter sexo ou não? Ah, vai. Você sente que a ama mais do que amava a outra pessoa, e não vai negar para essa o que não negou para a outra.

Leonardo, solteiro, 26 anos, guarda consigo um alerta de seu pai sobre sexo: “Não comece. Porque, se começar, não dá mais para parar.” Isso o ajudou num momento complicado. Ele vivia durante a semana em outra cidade, para estudar, indo para a casa dos pais apenas nos fins de semana. Um dia, uma amiga de faculdade foi ao seu apartamento e propôs que eles transassem. O que você faria no lugar dele? Ela era bonita, legal e cristã, como ele. Que armadilha! Mas o Leonardo escapou. Ele conta que, “numa boa”, disse que eles não iam ganhar nada com aquilo. Pelo contrário, mais tarde, ficariam tristes e arrependidos.

Mas... por que a gente pode se arrepender depois? Porque a virgindade não é uma questão apenas física, mas também emocional. Surge a culpa. Qualquer pessoa que tenha alguma comunhão com Deus, e faz sexo fora dos padrões estabelecidos, Ele sabe que a pessoa errou. Quem consegue ficar de bem com a vida com um peso desses nas costas? É melhor evitar. “A gente tem que decidir antes; e, quando enfrentar uma situação difícil, a gente vai saber dizer não”, é a dica do Marcos, de 22 anos.

O ministro evangélico Ricardo Paixão faz uma conta matemática interessante, a respeito desse assunto: “O sexo é um ato tão íntimo que podemos dizer que parte de você fica com a outra pessoa e a outra pessoa fica com parte de você. Se você já teve relação sexual com alguém, então quando você se casar não poderá dar a seu cônjuge 100% de você porque parte de você já ficou com outro(a).”

Que Deus abençoe suas escolhas. Mas, caso você tenha errado no passado, peça perdão a Ele, levante a cabeça e lembrese de que nunca é tarde para recomeçar. Obedecer à Lei de Deus e viver de acordo com os princípios divinos é a única garantia de felicidade aqui, e na vida eterna.


* Apesar de todas as histórias mencionadas serem verídicas, foram usados nomes fictícios para preservar a identidade dos entrevistados.


Por que esperar

Para evitar sofrimentos futuros e promover a confiança.
Todo relacionamento humano se baseia na confiança. Com o casamento não é diferente. Para ilustrar, veja só esta parte da entrevista concedida ao pastor George Vandeman pelo doutor Josh McDowell, no programa Está Escrito: Josh contou que namorou uma garota por cerca de três anos e, 20 anos depois, sua esposa acabou conhecendo aquela ex-namorada. As duas se tornaram amigas. Certo dia, ao voltar para casa, Josh recebeu um abraço da esposa. Olhando nos olhos dele, ela disse que estava muito feliz por ter sabido que ele se comportou bem durante aquele período. “Jamais pensei que o meu namoro de 20 anos atrás poderia afetar o meu casamento hoje. Minha esposa confia em mim.”

(Imagem: William de Moraes)

Para evitar lares sem estrutura (ou mesmo a ausência de lares).
Como dois adolescentes poderão assumir as responsabilidades de um lar, caso o envolvimento sexual pré-marital acabe em filhos (e freqüentemente acaba)? Esse é um dos maiores motivos de infelicidade conjugal. E que tipos de cidadãos um lar infeliz e desestruturado formará? Deus sabe o momento e o contexto certos para o envolvimento sexual, pois “o matrimônio, na maioria dos casos, é um jugo muito aflitivo. Milhares há que se acham acasalados, porém, não casados (...) da qualidade do lar depende a condição da sociedade”. Ellen G. White, O Lar Adventista, pág. 44. Quando se envolve em sexo fora do casamento, o jovem, além de jogar para o espaço um dos melhores momentos da vida, depara-se também com os problemas do aborto e de “pais solteiros”. E ambos trazem tristes conseqüências. É por isso que Deus diz, em Hebreus 13:4: “Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula.”

Para não contrair DST.
As Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) são outro fruto amargo colhido por aqueles que se envolvem em sexo fora do casamento. Quando Deus diz “não cometa imoralidade sexual” (I Tess. 4), faz isso porque quer nos proteger das conseqüências dessa prática (aliás, toda negativa divina revela-se, cedo ou tarde, uma bênção para nós). Recentemente, foi realizada uma conferência sobre sexologia nos Estados Unidos. Quando perguntados se confiariam numa fina proteção de borracha (preservativo) para protegê-los se praticassem sexo com uma pessoa sabidamente infectada com o HIV, nenhum dos 800 sexólogos levantou a mão. “No entanto”, diz o psicólogo e escritor James Dobson, “estão dispostos a dizer aos nossos filhos que o ‘sexo seguro’ está ao alcance de todos, e que podem praticar sexo com todo mundo, impunemente” (citado por Clifford Goldstein, em O Dia do Dragão, pág. 78 – Casa). O único sexo psicológica e fisicamente seguro é aquele praticado dentro do casamento. A virgindade ainda é o melhor presente que um casal pode trocar e a melhor garantia de proteção contra as DSTs.


[Revista Conexão JA - Jan. a Mar. 2008, p.8-11]

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